Sopa de Aspargo

Gentemm???

Lembra que a dica foi correr e fazer uma sopinha de aspargos?? Pois então, sou obediente!! :)

E vamos combinar que sopa de aspargos é chique até não poder mais, né?  Você pode servir com croutons e presunto de parma, aí sim, dispensa até terapia O aspargo é uma flor da família dos lírios. O seu cultivo já abrange todos os continentes, o que permite comermos esta iguaria durante todo o ano. 

É importante saber que o aspargo é um alimento muito nutritivo e contém vitaminas do complexo B (ácido fólico) Betacaroteno (provitamina A), além dos minerais Cálcio, Ferro e Fósforo. Também é excelente fonte de glutationa, um antioxidante com forte atividade anticancerígena. Na prática, auxilia na digestão, tem ação diurética e sedativa. além disso 100 gramas de aspargo cozido fornecem 18 calorias e em conserva são 16 calorias. Quer mais algum motivo pra fazer essa sopa de aspargo??? Já pra cozinha!!


Busquei na net várias receitas e fiz modificações para que ficasse mais light.

Vejam a receita:

1 lata ou vidro de aspargos em conserva
a mesma lata de leite desnatado
1 caldo de galinha 
1 col. sopa azeite de oliva
2 dentes de alho fatiados
2 colheres de farinha de aveia
1 lata de creme de leite light
Sal
Salsinha
Pimenta rosa
2 aspargos para decorar

  
    




Preparo:
Bata no liquidificador os aspargos, o leite, o caldo de galinha dissolvido em água quente, a aveia e o creme de leite. Reserve.
Em uma panela, frite no azeite o alho fatiado e em seguida acrescente o creme batido e cozinhe por 8 minutos. Acerte o sal.
Decore com as pontas de aspargos e a pimenta rosa.
Rendimento - 4 porções.

**Considerações: Utilizei essas medidas e indico usar menos azeite e somente meio caldo de galinha para não correr o risco de ficar salgado, o creme de leite garante a suavidade e cremosidade da sopa.

Enquanto saboreia essa receitinha divina, entenda porque Rubem Alves prefere sopas.

Sopas


"Se Deus me dissesse para escolher a comida que eu iria comer no céu, por toda a eternidade, eu não teria um segundo de hesitação: escolheria sopa. Camarão, picanha maturada, salmão à Dali, os pratos mais refinados: tudo me seria insuportável após umas poucas repetições. Mas não é assim com as sopas. Posso tomar sopa por toda a eternidade, sem me cansar.

Minha relação com as sopas é mais que gastronômica: é uma relação de ternura. Elas me reconduzem à cozinha de minha casa de menino, ao fogão de lenha, às tardes de inverno. A janta (janta, mesmo; jantar é coisa de rico) era servida às 5 da tarde. Ah! Uma sopa quente que se toma numa tarde fria é uma lareira que se acende no estômago. O calor, aos poucos, se espalha pelo corpo. Com umas gotinhas de pimenta, então, ele se transforma em suor, e se a gente não usa o guardanapo a tempo, as gotas de suor na testa acabam por cair no prato da sopa...

Para mim a sopa é um sacramento de intimidade: um objeto físico, presente, no qual vive uma felicidade que se teve, ausente. A sopa quente me transporta para outros lugares, outros tempos. Faço e gosto de sopas frias. Sopa fria de maçã, por exemplo, tem um sabor exótico. Agrada-me ao paladar. Mas falta a essas sopas sofisticadas o elemento sacramental: elas não me levam a lugar algum. Falta-lhes o calor para me reconduzir ao espaço de intimidade.

Sopa é comida de pobre. Sopa fina, creme de aspargos, creme de palmito, sopa gelada de maçã, é nobreza posterior. As sopas fundamentais se fazem com sobras. Sobra, é só pobre quem guarda. Sopa é comida de guerra, de fome, quando qualquer raspa de comida é bem precioso, que não pode ser perdido. Rico não guarda sobra. Não precisa. É humilhante. Sobra de rico vai para o lixo. Sobra de pobre vai para o caldeirão de sopa. As sopas fundamentais se fazem com sobras, destinadas ao lixo. A sopa é uma poção mágica por meio da qual o que estava perdido é salvo da perdição e reconduzido à circulação da vida e do prazer.

A imaginação de Bachelard diz que a matéria também imagina. A água imagina arcos-íris. As sementes imaginam flores e árvores. O mármore imagina ‘Beijos’ (Rodin) e Pietás (Miguel Ângelo). O rios imaginam nuvens (Heládio Brito). As comidas também imaginam. O churrasco imagina espetos, facas, garfos: objetos fálicos, masculinos, infernais. O churrasco precisa de perfurações, cortes, dilacerações. As mandíbulas lutam com a carne. A carne resiste.

Já a sopa é mansa. Não é para ser comida. A colher é um côncavo, um vazio, o feminino. Nada é perfurado. O gesto é o de ‘colher’: a colher colhe, sem violência. Sempre tive implicância com uma etiqueta snob, para a tomação de sopa: que o delicado é tomar a sopa com o lado da colher, e não com o bico. Ora, ora - eu argumentava - por analogia a gente deveria comer comida sólida com o lado do garfo - o que não é possível. De fato. Não é possível. É que o garfo pertence à ordem dos talheres pontiagudos, perfurantes: entram pela frente. A colher pertence à ordem dos talheres discretos e modestos: entram pelo lado, mansamente...

Salvador Dali, quando menino, sonhava em ser cozinheiro. Preferiu a pintura e produziu suas maravilhosas telas surrealistas. O realismo, em pintura, se constrói sobre o pressuposto de que as coisas são aquilo que parecem ser, nem mais e nem menos. Os olhos, diante de uma tela realista, jamais experimentam a surpresa do impossível ou do impensado. O realismo confirma aquilo que os olhos comumente vêem. O surrealismo, ao contrário, acha que aquilo que os olhos comumente vêem é muito pouco: se olharmos com atenção perceberemos que as coisas são, ao mesmo tempo, o que são e também outras: elefantes se refletem nas águas de um lago como cisnes, cenários compõem o corpo erótico de uma mulher, o corpo de Cristo é transparente e através dele se vêem mares, montanhas e barcos. O realismo confirma o criado. O surrealismo recria o criado.

As sopas são a versão culinária do surrealismo. Tivesse realizado sua vocação primeira, Salvador Dali seria um especialista em sopas. Pois as sopas se fazem negando as coisas, na sua realidade natural bruta e transformando-as por meios das relações insólitas que o caldo torna possíveis. O caldo da sopa é o meio mágico que junta no caldeirão aquilo que, na natureza, nasceu separado. Creio ser impossível catalogar as combinações possíveis: fubá, trigo, batata, alho, cebola, nabo, cenoura, tomate, ervilha, ovo, abóbora, mandioca, cará, inhame, carne, peixe, galinha, mariscos, repolho, couve, beterraba, aspargo, palmito, feijão, arroz, queijo, azeitona, pão, maçã, abacate, temperos, pimentas, orégano, tandore - uma canja verdadeira não é canja se lhe faltarem algumas folhinhas de hortelã. E é preciso não nos esquecermos que sopa é a única comida que pode ser feita com pedra, como nos é relatado numa das estórias clássicas que se conta para crianças e adultos.

Gosto das sopas, ainda, por serem elas entidades do mundo dos magos, bruxas e feiticeiros. No mundo mágico não se usa churrasco. Magos, bruxas e feiticeiros fazem suas poções em enormes caldeirões de sopa, como é o caso de Panoramix, druida do Asterix e do Obelix, que prepara sua beberragem de força imbatível num caldeirão de sopa fervente.

Prefiro as sopas rústicas - e fazê-las me dá um grande prazer. A sopa de fubá em suas múltiplas versões, o caldo verde, a canja com hortelã, a multicolorida sopa de legumes: sopas são sempre uma alegria. As sopas rústicas dão permissão para se jogar nelas o pão picado. Haverá coisa mais feliz que isso? Reuno-me com alguns amigos, às 3as. feiras, para ler poesia, ao redor de um prato de sopa.

Uma última informação: sopas são remédios maravilhosos contra depressão. Quando a sopa quente, cheirosa, colorida e apimentada, bate no estômago, a tristeza se vai e a alegria volta. Não há melancolia que resista à magia de um prato de sopa..."

(Concerto para corpo e alma, p. 69.)

bjoks

6 comentários:

Denise Albuquerque disse...

ME DEU VONTADE DE TOMAR ESSA SOPA DE ASPARGOS HOJE. PARECE QUE ESTÁ MUITO BOA.

Tathyana disse...

Vou fazer essa receita porque eu AMO aspargos. Delíciaaaa!!!! Bjs miga.

Roldão Júnior disse...

Farei esse creme amanhã mesmo, depois postarei novamente dando notícias do sucesso. Abs,

Bruna disse...

Ei Roldão Junior,
Bem-vindo ao blog! Espero que divirta-se!
Depois posta aqui se deu certo e se você gostou da receita ok?
bj

Roldão Júnior disse...

Fizemos o creme de aspargos, quase fiéis à receita, somente trocando o que era light por "normal". Ficou show de bola. Todos nós adoramos. Sopas e cremes nesses dias frios é o que há.

Bruna disse...

Que maravilha, fico super feliz!!

Adoro receber o feedback!Obrigada!

Acho que eu também vou repetir a dose!! :)
bj